Saturday, November 03, 2007


AS SETE FACES DO DR. LAO

Charles Finney

(no qual a senhora Cassan, cidadã do município de Abalone, vai ao encontro de Apolônio de Tiana)


Uma viúva, a senhora Howard T. Cassan, leu o anúncio do circo do dr. Lao às dez e quinze. "...haverá um adivinho... protegido pelo véu do mistério... profecias invariavelmente exatas..."

A senhora Cassan estava sempre à procura de videntes. Quando não havia nenhum ela mesma deitava cartas ou fazia sessões mediúnicas com um copo virado de cabeça para baixo. Havia pedido que lhe lessem a sorte tantas vezes que a fim de cumprir todas as previsões ela teria de viver mais noventa e sete anos e conhecer e enfeitiçar todo um regimento de homens altos e morenos. –

Vou lá perguntar a esse homem... vamos ver... é, vou lá perguntar a ele sobre aquele poço de petróleo com que sonhei – disse consigo a senhora Howard T. Cassan.(...)


A viúva Howard T. Cassan chegou ao circo com seu frívolo vestido marrom e seus sapatos baixos e encaminhou-se diretamente para a tenda do vidente. Pagou a entrada e sentou-se para escutar seu futuro. Apolônio de Tiana avisou-a de que ela ficaria desapontada.- Não hei de ficar, se o senhor me disser a verdade – disse a senhora Cassan. – O que desejo saber, antes de mais nada, é quando vai jorrar petróleo naquele meu alqueire no Novo México.- Nunca – respondeu o vidente.- Bem... então, quando vou me casar outra vez?- Nunca.- Muito bem. Que espécie de homem vai surgir em minha vida?- Não haverá mais homens em sua vida – disse o vidente.- Bem, então do que me adianta viver, se não vou ficar rica, não vou me casar outra vez, nem vou conhecer novos homens?- Não sei – confessou o profeta – Só leio o futuro. Não o julgo.- Bem, eu paguei. Leia meu futuro.Apolônio leu:- Amanhã será como ontem e depois de amanhã como anteontem – disse Apolônio. – Vejo o resto dos seus dias como uma tediosa coleção de horas. A senhora não viajará a nenhum lugar. Não terá pensamentos novos. Não experimentará nenhuma nova paixão. Sua idade aumentará, mas não sua sabedoria. Crescerá seu formalismo, mas não sua dignidade. A senhora não tem na juventude, daquela curiosa simplicidade que no passado atraiu alguns homens, nada resta, nem a senhora as poderá reconquistar. As pessoas lhe falarão ou visitarão por pena ou solidariedade. Não porque a senhora tenha qualquer coisa a lhes oferecer. Já viu uma velha haste de milho que amarelece e definha, mas se recusa a morrer, na qual alguns passarinhos pousam de vez em quando, quase sem notar sobre o que estão pousados? Isso é a senhora. Não consigo imaginar qual seja seu lugar na organização da vida. Uma coisa viva deveria criar ou destruir, segundo sua capacidade ou capricho, mas a senhora não faz uma coisa nem outra. Vive a sonhar com coisas bonitas que gostaria que lhe acontecessem, mas que nunca acontecem; e imagina vagamente por que as jovens vidas ao seu redor, às quais ocasionalmente censura por uma suposta impropriedade, nunca lhe dão ouvidos e parecem fugir à sua aproximação. Quando a senhora morrer, será sepultada e esquecida, somente isso. Os agentes funerários a fecharão num ataúde à prova de vermes, com o que lacrarão, para a própria eternidade, a argila da sua inutilidade. A julgar por todo o bem e todo o mal, toda a criação e toda a destruição que sua vida pudesse haver provocado, a senhora poderia perfeitamente jamais ter existido. Não vejo propósito em talvida. Só vejo nela um desperdício chocante, vulgar.- Eu entendi o senhor dizer que não julgava vidas – disse a senhora Cassan rispidamente.- Não estou julgando. Estou apenas divagando. Hoje, por exemplo, a senhora está sonhando em achar petróleo num alqueire de terra que possui no Novo México. Não existe petróleo lá. A senhora sonha com um homem alto, moreno e belo que venha a cortejá-la. Não virá homem algum, nem moreno, nem alto, nem de qualquer espécie. No entanto, a senhora continuará a sonhar, apesar do que lhe digo. Continuará a sonhar durante a pequena ronda de suas horas, costurando, balançando-se, mexericando e sonhando. E o mundo gira, gira, gira. Crianças nascem, crescem, casam-se, adoecem e morrem, mas a senhora fica em sua cadeira de balanço, cose, mexerica e leva a vida. E a senhora tem voz ativa no governo, e um número suficiente de pessoas votando igual poderia mudar a face do mundo. Há algo terrível nessa idéia. Mas sua opinião pessoal sobre qualquer assunto no mundo é absolutamente desprezível. Não, não consigo atinar com a razão da sua existência.- Não lhe paguei para atinar com coisa alguma. Diga apenas meu futuro e pronto.- Estive dizendo seu futuro! Por que não ouve? Deseja saber quantas vezes ainda comerá alface ou ovos cozidos? Quer que eu enumere as vezes em que gritará bom dia para a vizinha sobre a cerca? Devo dizer-lhe quantas vezes mais a senhora comprará meias, irá à igreja, assistirá a filmes? Deverei fazer uma lista mostrando quantos litros de água a senhora ferverá no futuro para o chá, quantas combinações de cartas receberá no bridge, quantas vezes o telefone tocará nos anos que lhe restam? Deseja saber quantas vezes voltará a censurar o jornaleiro por não deixar o jornal no lugar que menos a irrita? Devo dizer-lhe quantas vezes mais a senhora se aborrecerá por chover ou deixar de chover, segundo seus caprichos? Devo calcular quantas moedas há de poupar regateando no mercado? Deseja saber tudo isso? Pois nisso, senhora Cassan, se resume seu futuro: fazer as mesmas coisas inúteis que tem feito nos últimos cinqüenta e oito anos. A senhora se defronta com uma repetição do seu passado, uma recapitulação dos algarismos na máquina de calcular de seus dias. Há apenas um algarismo brilhante, talvez: houve um pouco de amor em seu passado; mas não haverá nenhum em seu futuro.- Bem, devo dizer uma coisa: o senhor é o adivinho mais estranho que já vi em minha vida.- É minha cruz só ser capaz de dizer a verdade.- O senhor já amou?- Naturalmente. Mas por que a senhora pergunta?- Há um fascínio estranho em sua franqueza brutal. Eu imagino uma moça, ou melhor, uma mulher experiente, lançando-se a seu pés.- Houve uma moça, mas ela nunca se lançou a meu pés. Eu me lancei aos dela.- O que ela fez?- Ela riu.- Ela o magoou?- Sim. Mas depois disso nada me magoou muito.- Eu sabia! Sabia que um homem com sua terrível crueldade mental devia ter sido ferido por uma mulher, em alguma época. As mulheres são capazes de fazer isso a um homem, não é?- Creio que sim.- Pobre homem, pobre homem! O senhor não é muito mais velho do que, não é? Eu também fui magoada. Por que não poderíamos ser amigos, ou mais que amigos, quem sabe, e juntos remendar os farrapos de nossas vidas? Acho que eu seria capaz de compreendê-lo, consolá-lo e tomá-lo sob meus cuidados.- Minha senhora, eu tenho quase dois mil anos de idade, e sempre fui solteiro. É tarde demais para começar.- Ah, como o senhor é engraçado! Eu adoro brincadeiras! Nós nos daríamos esplendidamente, os dois, tenho certeza!- Sinto muito. Eu lhe disse que não haveria mais homens em sua vida. Não tente me fazer com que eu me desdiga, por favor. A consulta terminou. Boa tarde.A senhora Cassan começou a dizer alguma coisa, mas não havia mais ninguém com quem falar. Apolônio havia desaparecido com aquela presteza dominada apenas pelos mágicos de maior experiência. A senhora Cassan saiu para o clarão da tarde ensolarada. Lá fora encontrou Luther e Kate. Isso foi exatamente dez minutos antes da petrificação de Kate pela Medusa.- Querida – disse a senhora Cassan a Kate – esse adivinho é o homem mais magnético que já vi. Vou falar com ele de novo hoje à noite!- O que foi que ele disse sobre o petróleo? – perguntou Luther.- Ah, ele me encorajou muitíssimo!!!

Friday, June 22, 2007

The Pied Piper of Hamelin by Robert Browning



Verse 1
Hamelin Town's in Brunswick, By famous
Hanover city; The river Weser, deep and wide, Washes its wall on the southern side; A pleasanter spot you never spied; But, when begins my ditty, Almost five hundred years ago, To see the townsfolk suffer so From vermin, was a pity.


Verse 2
Rats! They fought the dogs and killed the cats, And bit the babies in the cradles, And ate the cheeses out of the
vats, And licked the soup from the cooks' own ladles, Split open the kegs of salted sprats, Made nests inside men's Sunday hats, And even spoiled the women's chats, By drowning their speaking With shrieking and squeaking In fifty different sharps and flats.


Verse 3
At last the people in a body To the Town Hall came flocking: ``Tis clear,'' cried they, ``our Mayor's a noddy; And as for our Corporation -- shocking To think we buy gowns lined with
ermine For dolts that can't or won't determine What's best to rid us of our vermin! You hope, because you're old and obese, To find in the furry civic robe ease? Rouse up, sirs! Give your brains a racking To find the remedy we're lacking, Or, sure as fate, we'll send you packing!'' At this the Mayor and Corporation Quaked with a mighty consternation.


Verse 4
An hour they sat in council, At length the Mayor broke silence: ``For a
guilder I'd my ermine gown sell; I wish I were a mile hence! It's easy to bid one rack one's brain -- I'm sure my poor head aches again, I've scratched it so, and all in vain Oh for a trap, a trap, a trap!'' Just as he said this, what should hap At the chamber door but a gentle tap? ``Bless us,'' cried the Mayor, ``what's that?'' (With the Corporation as he sat, Looking little though wondrous fat; Nor brighter was his eye, nor moister Than a too-long-opened oyster, Save when at noon his paunch grew mutinous For a plate of turtle green and glutinous) "Only a scraping of shoes on the mat? Anything like the sound of a rat Makes my heart go pit-a-pat!''


Verse 5
``Come in!'' -- the Mayor cried, looking bigger And in did come the strangest figure! His queer long coat from heel to head Was half of yellow and half of red, And he himself was tall and thin, With sharp blue eyes, each like a pin, And light loose hair, yet
swarthy skin No tuft on cheek nor beard on chin, But lips where smile went out and in; There was no guessing his kith and kin: And nobody could enough admire The tall man and his quaint attire. Quoth one: ``It's as my great-grandsire, Starting up at the Trump of Doom's tone, Had walked this way from his painted tombstone!''


Verse 6
He advanced to the council-table: And, ``Please your honours,'' said he, ``I'm able, By means of a secret charm, to draw All creatures living beneath the sun, That creep or swim or fly or run, After me so as you never saw! And I chiefly use my charm On creatures that do people harm, The mole and toad and newt and
viper; And people call me the Pied Piper.'' (And here they noticed round his neck A scarf of red and yellow stripe, To match with his coat of the self-same cheque; And at the scarf's end hung a pipe; And his fingers, they noticed, were ever straying As if impatient to be playing Upon this pipe, as low it dangled Over his vesture so old-fangled.) ``Yet,'' said he, ``poor piper as I am, In Tartary I freed the Cham, Last June, from his huge swarms of gnats, I eased in Asia the Nizam Of a monstrous brood of vampyre-bats: And as for what your brain bewilders, If I can rid your town of rats Will you give me a thousand guilders?'' ``One? fifty thousand!'' -- was the exclamation Of the astonished Mayor and Corporation.


Verse 7
Into the street the Piper stept, Smiling first a little smile, As if he knew what magic slept In his quiet pipe the while; Then, like a musical adept, To blow the pipe his lips he wrinkled, And green and blue his sharp eyes twinkled, Like a candle-flame where salt is sprinkled; And ere three shrill notes the pipe uttered, You heard as if an army muttered; And the muttering grew to a grumbling; And the grumbling grew to a mighty rumbling; And out of the houses the rats came tumbling. Great rats, small rats, lean rats,
brawny rats, Brown rats, black rats, grey rats, tawny rats, Grave old plodders, gay young friskers, Fathers, mothers, uncles, cousins, Cocking tails and pricking whiskers, Families by tens and dozens, Brothers, sisters, husbands, wives -- Followed the Piper for their lives. From street to street he piped advancing, And step for step they followed dancing, Until they came to the river Weser Wherein all plunged and perished! -- Save one who, stout as Julius Caesar, Swam across and lived to carry (As he, the manuscript he cherished) To Rat-land home his commentary: Which was, ``At the first shrill notes of the pipe, I heard a sound as of scraping tripe, And putting apples, wondrous ripe, Into a cider-press's gripe: And a moving away of pickle-tub-boards, And a leaving ajar of conserve-cupboards, And a drawing the corks of train-oil-flasks, And a breaking the hoops of butter-casks: And it seemed as if a voice (Sweeter far than by harp or by psaltery Is breathed) called out, `Oh rats, rejoice! The world is grown to one vast drysaltery! So munch on, crunch on, take your nuncheon, Breakfast, supper, dinner, luncheon!' And just as a bulky sugar-puncheon, All ready staved, like a great sun shone Glorious scarce an inch before me, Just as methought it said, `Come, bore me!' -- I found the Weser rolling o'er me.''


Verse 8
You should have heard the Hamelin people Ringing the bells till they rocked the steeple ``Go,'' cried the Mayor, ``and get long poles, Poke out the nests and block up the holes! Consult with carpenters and builders, And leave in our town not even a trace Of the rats!'' -- when suddenly, up the face Of the Piper perked in the market-place, With a, ``First, if you please, my thousand
guilders!''


Verse 9
A thousand
guilders! The Mayor looked blue; So did the Corporation too. For council dinners made rare havoc With Claret, Moselle, Vin-de-Grave, Hock; And half the money would replenish Their cellar's biggest butt with Rhenish. To pay this sum to a wandering fellow With a gipsy coat of red and yellow! ``Beside,'' quoth the Mayor with a knowing wink, ``Our business was done at the river's brink; We saw with our eyes the vermin sink, And what's dead can't come to life, I think. So, friend, we're not the folks to shrink From the duty of giving you something to drink, And a matter of money to put in your poke; But as for the guilders, what we spoke Of them, as you very well know, was in joke. Beside, our losses have made us thrifty. A thousand guilders! Come, take fifty!''


Verse 10
The Piper's face fell, and he cried, ``No
trifling! I can't wait, beside! I've promised to visit by dinner-time Baghdad, and accept the prime Of the Head-Cook's pottage, all he's rich in, For having left, in the Caliph's kitchen, Of a nest of scorpions no survivor: With him I proved no bargain-driver, With you, don't think I'll bate a stiver! And folks who put me in a passion May find me pipe after another fashion.''


Verse 11
``How?'' cried the Mayor, ``d'ye think I
brook Being worse treated than a Cook? Insulted by a lazy ribald With idle pipe and vesture piebald? You threaten us, fellow? Do your worst, Blow your pipe there till you burst!''


Verse 12
Once more he stept into the street, And to his lips again Laid his long pipe of smooth straight cane; And ere he blew three notes (such sweet Soft notes as yet musician's
cunning Never gave the enraptured air) There was a rustling that seemed like a bustling Of merry crowds justling at pitching and hustling, Small feet were pattering, wooden shoes clattering, Little hands clapping and little tongues chattering, And, like fowls in a farm-yard when barley is scattering, Out came the children running. All the little boys and girls, With rosy cheeks and flaxen curls, And sparkling eyes and teeth like pearls, Tripping and skipping, ran merrily after The wonderful music with shouting and laughter.


Verse 13
The
Mayor was dumb, and the Council stood As if they were changed into blocks of wood, Unable to move a step, or cry To the children merrily skipping by, And could only follow with the eye That joyous crowd at the Piper's back. But how the Mayor was on the rack, And the wretched Council's bosoms beat, As the Piper turned from the High Street To where the Weser roll’d its waters Right in the way of their sons and daughters! However he turned from South to West, And to Koppelberg Hill his steps addressed, And after him the children pressed; Great was the joy in every breast. ``He never can cross that mighty top! He's forced to let the piping drop, And we shall see our children stop!'' When, lo, as they reached the mountain-side, A wondrous portal opened wide, As if a cavern was suddenly hollowed; And the Piper advanced and the children followed, And when all were in to the very last, The door in the mountain-side shut fast. Did I say, all? No! One was lame, And could not dance the whole of the way; And in after years, if you would blame His sadness, he was used to say, -- ``It's dull in our town since my playmates left! I can't forget that I'm bereft Of all the pleasant sights they see, Which the Piper also promised me. For he led us, he said, to a joyous land, Joining the town and just at hand, Where waters gushed and fruit-trees grew, And flowers put forth a fairer hue, And everything was strange and new; The sparrows were brighter than peacocks here, And their dogs outran our fallow deer, And honey-bees had lost their stings, And horses were born with eagles' wings; And just as I became assured My lame foot would be speedily cured, The music stopped and I stood still, And found myself outside the hill, Left alone against my will, To go now limping as before, And never hear of that country more!''


Verse 14
Alas, alas for Hamelin! There came into many a
burgher's pate A text which says that heaven's gate Opes to the rich at as easy rate As the needle's eye takes a camel in! The mayor sent East, West, North and South, To offer the Piper, by word of mouth, Wherever it was men's lot to find him, Silver and gold to his heart's content, If he'd only return the way he went, And bring the children behind him. But when they saw 'twas a lost endeavour, And Piper and dancers were gone for ever, They made a decree that lawyers never Should think their records dated duly If, after the day of the month and year, These words did not as well appear, ``And so long after what happened here On the Twenty-second of July, Thirteen hundred and seventy-six:'' And the better in memory to fix The place of the children's last retreat, They called it, the Pied Piper's Street -- Where any one playing on pipe or tabor, Was sure for the future to lose his labour. Nor suffered they hostelry or tavern To shock with mirth a street so solemn; But opposite the place of the cavern They wrote the story on a column, And on the great church-window painted The same, to make the world acquainted How their children were stolen away, And there it stands to this very day. And I must not omit to say That in Transylvania there's a tribe Of alien people who ascribe The outlandish ways and dress On which their neighbours lay such stress, To their fathers and mothers having risen Out of some subterraneous prison Into which they were trepanned Long time ago in a mighty band Out of Hamelin town in Brunswick land, But how or why, they don't understand.


Verse 15
So, Willy, let me and you be wipers Of scores out with all men -- especially pipers! And, whether they pipe us free from rats or from mice, If we've promised them
aught, let us keep our promise!

The Pied Piper of Hamelin



Há muito, muitíssimo tempo, na próspera cidade de Hamelin, aconteceu algo muito estranho: uma manhã, quando seus gordos e satisfeitos habitantes saíram de suas casas, encontraram as ruas invadidas por milhares de ratos que iam devorando, insaciáveis, os grãos dos celeiros e a comida de suas bem providas despensas.
Ninguém conseguia imaginar a causa de tal invasão e, o que era pior, ninguém sabia o que fazer para acabar com tão inquietante praga.
Por mais que tentassem exterminá-los, ou ao menos afugentá-los, parecia ao contrário que mais e mais ratos apareciam na cidade. Tal era a quantidade de ratos que, dia após dia, começaram a esvaziar as ruas e as casas, e até mesmo os gatos fugiram assustados.
Ante a gravidade da situação, os homens importantes da cidade, vendo perigar suas riquezas pela voracidade dos ratos, convocaram o conselho e disseram: Daremos cem moedas de ouro a quem nos livrar dos ratos.
Pouco depois se apresentou a eles um flautista taciturno, alto e desengonçado, a quem ninguém havia visto antes, e lhes disse: "A recompensa será minha. Esta noite não haverá um só rato em Hamelin".
Dito isso, começou a andar pelas ruas e, enquanto passeava, tocava com sua flauta uma melodia maravilhosa, que encantava aos ratos, que iam saindo de seus esconderijos e seguiam hipnotizados os passos do flautista que tocava incessantemente.
E assim ia caminhando e tocando, levou-os a um lugar muito distante, tanto que nem sequer se poderia ver as muralhas da cidade.
Por aquele lugar passava um caudaloso rio onde, ao tentar cruzar para seguir o flautista, todos os ratos morreram afogados.
Os hamelineses, ao se verem livres das vorazes tropas de ratos, respiraram aliviados. E, tranqüilos e satisfeitos, voltaram aos seus prósperos negócios e tão contente estavam que organizaram uma grande festa para celebrar o final feliz, comendo excelentes manjares e dançando até altas horas da noite.
Na manhã seguinte, o flautista se apresentou ante o Conselho e reclamou aos importantes da cidade as cem moedas de ouro prometidas como recompensa. Porém esses, liberados de seu problema e cegos por sua avareza, reclamaram: “Saia de nossa cidade! Ou acaso acreditas que te pagaremos tanto ouro por tão pouca coisa como tocar a flauta?".
E, dito isso, os honrados homens do Conselho de Hamelin deram-lhe as costas dando grandes gargalhadas.
Furioso pela avareza e ingratidão dos hamelineses, o flautista, da mesma forma que fizera no dia anterior, tocou uma doce melodia uma e outra vez, insistentemente.
Porem esta vez não eram os ratos que o seguiam, e sim as crianças da cidade que, arrebatadas por aquele som maravilhoso, iam atrás dos passos do estranho músico. De mãos dadas e sorridentes, formavam uma grande fileira, surda aos pedidos e gritos de seus pais que, em vão, entre soluços de desespero, tentavam impedir que seguissem o flautista.
Nada conseguiram e o flautista os levou longe, muito longe, tão longe que ninguém poderia supor onde, e as crianças, como os ratos, nunca mais voltaram.
E na cidade só ficaram a seus opulentos habitantes e seus bem repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por suas sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.
E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.
Irmãos Grimm

Saturday, June 09, 2007

P.I. Tchaikovsky


"Acredito que o criador que despreza e renega a sua criação individual, recorrendo sempre a efeitos engenhosos e traindo o seu talento, a fim de conquistar aceitação e aplauso, não é e jamais será um artista genuíno. Conseguirá sucesso efêmero, mas sem construir uma obra duradoura "
Finalmente meu CD "James Strauss play´s Tchaikovsky " está pronto e vai pra prensagem semana que vem!
Me sinto como se tivesse parindo. Mas ficou lindo desde a performance ate a capa e tudo mais!
Bravo pra todos que colaboraram de uma forma ou de outra.

Wednesday, May 23, 2007

Eight Seasons II - (sentes?)


Por Annie dos Ventos - para James




Consegue sentir,
A suave brisa
Que acaricia seu rosto?
Consegues contemplar,
A beleza que anseia lhe tocar, lá fora?
Escuta!?
A eterna melodia
Que é sussurrada,tocada,entoada
Especialmente para você?
Espalharia aos quatro ventos
Em sua bela voz
Tudo o que lhe tocou
Em sua alma,
Seu coração?
Tudo é música, melodia,
Dentro de você
E fora também.
Apenas permita...
Em notas suaves,fortes e "imperiais"
A canção está presente além do Nascer e Pôr do Sol
Em uma tranquilidade preguiçosa
No entardecer de um domingo de Verão.
A canção lhe acompanha
Nas nuvens tempestuosas das madrugadas
Frias e solitárias de um inverno
Que pede recolhimento e reflexão.
O que você faz?
Quando a Música
Chega até você , de forma intensa e inesperada
E te olha
Através de seu sono e sonhos
De uma noite de Outono
Onde lá fora
A chuva completa
O grande ciclo.
A vida renasce,então
Em pequenos brotos
Que se espicham
Para fora da terra.
O que você faz?
A Música lhe presenteia em seu imenso sorriso
Ao chegar da Primavera
Quando finalmente tens a percepção
E sente
O grande Jardim Florido
De Sentimentos
Paixões
Atos
Morte e Vida
O Universo
do Tudo e do Nada.
Entoado em quatro tempos (sentidos,sentimentos,emoções,sensações)
As oito Estações
Essência embalada
Em desafios e vitórias
Vento assoprado fortemente
Para levar uma grande história,
História do tempo-espaço
Dos Sentidos, do Sentir.
Infinitamente, Eternamente.

A Flauta Encantada - para James Strauss


Por Annie dos Ventos

Há muito, muito tempo...Existia um pequeno vilarejo, povoado por seres encantados, onde a magia reinava livre por ali.Fadas, silfos, salamandras e todo tipo de seres que nossa imaginação conseguia e não conseguia imaginar circulava por ali.Somente os seres chamados humanos olhavam estranhamente os seres portadores da magia. Os seres chamados humanos eram os portadores da escolha.Num simpático entardecer, uma fadinha esbarrou num solitário tronco de uma árvore, árvore essa, que não tinha um nome, e que se perguntava a si mesma que tipo deárvore iria se tornar?Ah, apenas ,esperando o tempo para saber.O tronco aparentava estar ali muito, muito tempo.Tempo demais, na verdade.A fadinha resolveu sentar se no tronco para descansar um pouco.Tomada de um súbito sono,adormeceu embalada pelo pôr do sol.Em meio ao sono, ouviu uma estranha cantoria que parecia vir de muito longe.A melodia vibrava em notas cadenciadas, chegando a ela em um sopro assoviado ritmico mas triste. A fadinha sentia todo seu ser aconchegado na melodia. Despertou assustada com o choque de se encontrar toda ensopada! Estava chovendo.Ficou ainda mais assustada pois sentiu um desespero muito grande dentro de si. O desespero de não poder compartilhar com o mundo tudo o que tinha sentido.O frio e o vazio que sentia a faziam tremer , batendo os dentes.Sobrevoou para dentro do tronco que era oco por dentro... Oco.?As lágrimas correram soltas pelo rosto da fadinha.Aquele vazio estava preenchido por tudo aquilo que ela havia sentido, regida pela melodia que tinha escutado.Percebeu, finalmente, com grande surpresa o causador daquilo tudo que tinha sentido. Aquele tronco!O tronco apenas sentia a presença da fadinha.E sentiu o que seria um sorriso dentro dele. A fadinha pegou sua varinha de condão e tocou gentilmente no tronco.Muito, muito tempo se passou... E o tronco continuou ali,com suas sensações,observando, captando, o que ia a sua volta.Foi num desses dias onde murmurava timidas notas ao vento, notas essas que contava a quem quisesse ouvir sobre a grande imensidão do universo e seus mistérios.Num desses dias, sentiu "algo" o segurar e assoprar. Uma linda melodia se fez ouvir. O vilarejo inteiro a escutou. E choraram emocionados. O desespero que o tronco (que tinha se transformado em uma flauta) sentia, enfim se dissipou, na música que foi assoprada pelo portador da escolha.E foi assim que a Magia e a Escolha começaram a caminhar juntas.

Monday, May 14, 2007

Susana Maria Maluf


Caros Leitores ,
eu guardo todas as cartas que já recebi...cartões de natal, de aniversário, recadinhos carinhosos deixados sobre a mesa.cartinhas contando da vida...porque tem coisa mais gostosa que ler frases antigas, escritas com carinho por alguém q te ama, ou amou há algum tempo atrás.o tempo pára!vc vai lendo e vai lembrando das sensações qdo recebeu a missiva... rs.e mais, vai lembrando daquela época, das emoções, dos dramas, de todas as dúvidas...lembra com saudade de um periodo em q tudo parecia dificil, mas hoje vc ve q tudo era tão mais simples..e fica achando que naquela época sim, vc foi feliz.depois lembra que é feliz hoje também.e ao mesmo tempo infeliz...porque a gente é assim. triste e alegre, feliz e infeliz.ansioso e tranquilo.mas tem uma coisa que o e-mail nao substitui, o cheiro de carta antiga, o amarelado do papel guardado. a suavidade das palavras esmaecidas...e qdo é pessoa é muito doce e deixa flores ou corações desenhados pelo papel.suspiros....saudade de escrever a mão livre...e de receber cartas assim.melancolicamente.

Estava relendo os e mails e todas as conversas que tenho da Susana Maria ....

porque todo mundo é fraco e forte.porque todos nós somos fracos porque amamos, e o objeto do nosso amor é o que nos faz vulneráveis.e somos fortes no que amamos, porque este amor nos faz ir mais longe, mais além.e tem que existir o drama e a lágrima.senão não é paixão.e paixão?aaaaaaah, a paixão.o frio e o calor, a dor, a alegria e a tristeza convivendo numa única palavra.porque eu sem drama, e sem paixão sou ninguém, sou vazia.deixo de ser.é a piada de mau-gosto. dita em voz alta no velório.falta de nexo.é a tal da peça que sempre falta no quebra-cabeça.sem sentido como a morte.mas até a morte tem sentido.é energia se transformando. é renovação.então morro.suicido-me cada vez que mato a paixão dentro de mim.e me alimento destas mortes, para reviver...para viver da falta, da ausência, para que a paixãose sustente. se mantenha.viva!em mim.
aqui se faz, aqui se paga
eu ouço isso desde criança.minha avó costumava dizer isso toda vez que uma pessoa não muito legal levava um tapa da vida...e mesmo hoje em dia, com toda esta onda espirita, de reencarnaçoes, e vidas passadas e futuras, ainda ouço esta frase com frequencia.dos meus amigos budistas, uma nova versão do mesmo conceito: lei de causa e efeito.fico pensando o que estou pagando. e mais, porque as pessoas que me magoaram tanto não estão pagando????não costumo desejar o mal a ninguém, pelo contrario, procuro me manter serena diante de pessoas que tem atitudes estranhas às minhas.fico pensando: de que adiantou ajudar os outros? de que adiantou me doar, me entregar de corpo e alma?de que adiantou amar tanto? se agora estou tão vazio e tão só.sei que mergulho neste mar de auto-piedade e fico achando que a culpa é dos outros...mas nem é isso.também não significa que me arrenpendi, faria tudo novamente se me fosse dado o poder da escolha. porque sou assim mesmo. pede ajuda com jeitinho e pronto, tiro a roupa para acabar com o frio da pessoa que amo.só não me acostumei ainda com a falta de amor de algumas pessoas que amei tanto, que ainda nao consegui desamar.enfim.estou triste porque algumas coisas em minha vida simplesmente não funcionam.triste. triste. triste.uma pessoa muito querida disse-me outro dia que sou uma alma iluminada, que atrai muita inveja, daí a minha depressão. não consigo digerir toda esta maldade humana.inveja de que?????DEus!tenho lutado todos os dias da minha vida, assim como todos que conheço.não sou diferente nem melhor que ninguém.bem que quis, um dia, ser dessas pessoas descoladas e de vanguarda... mas não adianta, sou dessas basiquinhas que passam despercebidas na multidão, e isso não é ruim não. me possibilita melhor poder observação. me possibilita, ver,imaginar, sonhar, e depois escrever...enfim.preciso me apoiar no sentimento de amor que pessoas especiais sentem por mim.sei que elas estão perto (mesmo longe).pessoas que, as vezes, só me ligam no meu aniversario, só pra dizer que sou especial.pessoas que, me recebem em suas casas, como se a casa fosse minha também.pessoas que não esquecem nunca do quanto sou frágil e do quanto preciso de carinho e afeto sinceros.demonstrações verdadeiras de amor.alias, como todo ser humano.sim, guardo mágoas, as vezes por anos a fio, guardo magoas de pessoas que me machucaram, humilharam...mas ainda assim, não desejo mal. só não entendo porque me usaram pra depois descartarem, assim, como papel velho. estas pessoas não sentem o quanto me fizeram mal???enfim.estou frustrado.chateado com o mundo.ainda.e semprecarente.
Pater Dimite Susana!

Tuesday, May 08, 2007

Eight Seasons


The globe, being round, implies two hemispheres. This makes the seasons (except places with infinite sunshine or those with a constant shortage of light) double themselves. That is how we get 2 times 4 seasons (or simply put--8 seasons). Admitting the global irrelevance of up and down, of North and South, of day and night--in a virtual reality it all takes place simultaneously--we also have to admit the irrelevance of any classification. - In coparison to the age of the Egyptian pyramids, didnt Mozart live an isntant ago?
Music, not as an item on charts or a sophisticated matter of connoisseurs , but as a spiritual ( and physical) code of wavelengths of communication, was born into the world earlier than words. Who cares, these days, what kind of music ( or noises) it was? Probably only science and scientists. But there in no way and need to label it was we label for convinience ( and profit) most things to be sold.
Let´s admit: music always existed and finally didn´t depend on either East or West, Classical or Pop. It was just there. Invented or registered as a language of emotion. As a matter of life. It is exactly here, at this point , and not in its description, Vivaldi meets Piazzolla. This meeting isn´t meant to be a “ crossover” , but a dialogue of two geniuses, ignoring the frame of time and geography and concentrating on the essentials.


Finally, it is the combination of the fourth dimension and the fifth element that makes them speak and share their (as well our) passion for the seasons. These seasons , not as a matter of convenience or an expanded catalogue of sounds, but as a simple fact to enjoy and share the only ( short) time we have at our disposalThe divine seasons are above it.


Saturday, March 10, 2007


o voo do besouro

Na minha ultima tour nos USA!

Aqui esta um pequeno bis depis de 1 hora e meia de concerto, e pra quem acha que eu não toco isso tudo, eis ai a prova!




http://www.youtube.com/watch?v=XYkoY1ZYId8

Thursday, March 08, 2007

diario de viagem I

Depois de tanto tempo voltei!

Estive out, por fazoes de tem e de trabalho. Consegui fazer a premiére do Concerto para flauta de Tchaikovsky.
Abaixo vou postar meu pequeno diario de viagem!


day 1:Acabei de falar com a Nathalia e a Adriana no aeroporto de guarulhos, embarquei num voo calmo ate Atlanta, encontrei 3 conhecidos a bordo, mundo pequeno ne? O dono do Galletos , um grande restauranhte de SP junto com a esposa, e uma amiga cellista que mora em Indianapolis.Cheguei em Atlanta, e estava um pouco apreenssivo no controle de passaportes, mas tudo correu bem, fiz ate piada com o police officer(!!).Peguei meu segundo aviao pra Dayton, chegando la, SURPRESA!! Cartazes no aeroporto anunciando meu concerto, com uma boa foto minha! Sabe ,nao e atoa que o marketing nasceu nesse pais. Fui muito bem recebido e logo me levaram pra almocar num restaurante fino. Fui tratado como uma estrela! E um pouco estranho, estou em umhotel muito bom, com piscina aquecida e tudo, detalhe , cheguei junto com a neve...Ta tudo branquinho aqui, parece ate Finlandia, depois deum jantar mexicano, dormi um sono merecido, depois de 14 horas deviagem. Hoje pela manha vim a faculdade e todos sao extremamente gentis comigo,e agora a tarde vou ter o primeiro ensaio com orquestra.Bem vou pra meu ensaio!

Day 2 : Acordei cedo, por causa do fuso horario, 3 horas atras do Brasil.
O Hotel tem uma piscina aquecida, fui nadar de 6 as 7 da manha.
Depois de um cafe da manha daqueles que tem tudo, fui ate a universidade dar uma aula e falar pra 125 pessoas, foi bem legal, fui pratiocar minha flauta, e as 13:00 reuniao com a cineasta que esta fazendo o filme sobre mim.
Fui estudar, com minha flauta nova, as 17:00 entrevista com o principal jornal de Cincinatti, materia grande de pagina inteira, e as 18:00 ensaio com orquestra, fui caminhando todo agasalhado debaixo de um frio de 10 graus negatinos. Percebi cartazes com minha foto por toda a cidade, depois do ensaio fui num barzinho ter um poucop de vida social, me diverti um pouco, mas por certas horas tinha um momento de nostalgia , pensando na minha Amada...La em Brasilia...cheguei no hotel as 1 da manha...e fui dormir...com mil pensamentos, pensando no encontro... Concerto ...estréia...etc...adormeci...

Sonhei...


James...Nathalia....abraco....

Sentimento de calar agradavel....

olhares...toques...

acordo as 6 da manha com um sorriso nos labios....

Day 3:A Prostituta
Ha alguns anos vi um programa sobre o comunismo naantiga Uniao sovietica, quando artista Sovieticos iam em missao artistica ou tournees nos USA, eles eram advertidos a nao se seduzirem com a Prostituta do Capitalismo. Bem, estou seduzido !!:)Nunca coisas tao baratas , desde roupas, Eletronicos, comida equalidade. Ontem fui no Wal-Mart, para com,prar umas coisas de uso pessoal, e fiquei impressionado e seduzido. Pode-se ter tudo nesse pais. Bem tive meu ensaio com minha flauta nova, foi maravilhoso, oteatro e lindo, jantei com o maestro e a diretora do Filme ( tao fazendo um filme sobre mim..!!!!) foi bem legal...

Day 4 : O grande dia


No dia fui dormir um pouco a tarde , depois de uma entrevista e gravar algumas partes do documentario,e as 18:00 ja estava prontinho com minha casaca, flautas e partituras. tivemos um pequeno ensaio pra posicionar microfones e cameras.

As 20:00 a sala estava cheia, e a Orquestra prointinha. 20:30 comecou, Villa Lobos , preludio das bachianas nº4. Logo em Seguida entrei para o Concerto Duplo de Haydn pra Flauta, Piano e Orquestra . Foi simplesmente magico, na plateia nao se ouvia nem o voo de uma mosca, a Profa. Lian Tan , que tocou o piano, parecia que ja tinha tocado a vida inteira comigo, de tao juntos que nos estavamos, cada notinha, cada trinado...Depois do Haydn, depois de muitos aplausos toquei dois " Encores" O quie e raro , tocar um bis na primeira parte, mas aproveitei o Piano no palco e a pianista, e tocamos de Nicolo Paganini " Caprice n.24" e depois de Manoel Ponce " Estrelitta" .
tivemos um intervalo de 15 minutos.

Na segunda parte comecei com uma musica de um outro Tchaikovsky , Alexander. Um musica chamada " Small KUBAN variations" , bem, como vc deve estar imaginando, esse Kuba ai nao tem haver com a CUBA de Fidel, na verdade KUBAIN e um povo do norte da Siberia, e essa musica alem de bonita e bem comica, toquei com um "Piccolo" de madeira com as chaves de ouro! Piccolo e uma flauta pequenininha com um som, bem agudo.

Logo apos o Professor Dr. Thomas Garcia, veio falar com o publico para apresentar o Concertstuck de Tchaikovsky, falar do forum, ...15 minutos depois eu voltei para executar o Concertstuck, foi muito bom tbem, a orquestra tocou muito bem, e tudo conspirou paraque tudo saise bem.

Depois vieram os " fireworks" Toquei de Tchaikovski (P.I) , uma musica chamada LENSKY Aria, da opera Eugene Onegin, fez um sucesso enorme, em seguida o Voo do Besouro de Nikolay Rimsky Korsakov, e pra terminar do Romeno Grigoras Dinicu, Hora Staccato, Imortalizado por Jascha Heiftiz nos USA 80 anos atras e faz sucesso ate hoje.Depois de ser aplaudido de pe , vou tei e toquei mais um bis: com flauta solo " Variacoes Brilhantes sobre o Carnaval de Veneza"\Foi tudo gravado tanto em AUDIO pra NATIONAL PUBLIC RADIO , tanto em VIDEO pra o documentario.
Agora tenho mais um concerto em COLUMBUS Ohio onde vamos repetir o mesmo pragrama no dia 8 de fevereiro, e dia 11 estou em casa de volta.

Friday, November 24, 2006

As modas Passam , mas o belo permanece....

Cara, não dá. Cansei, sério! Porque o mundo tem que ser tão medíocre? Por que as pessoas têm que ser tão fúteis? É incrível como a moda é comum... E olha que passamos por momentos difíceis financeiramente! Mas, se não dá pra comprar a moda oficial, compre no mercado informal! É mais barato, quase a mesma coisa superficialmente e, acima de tudo, você não vai ficar de fora, você tá na moda. É muito ridículo isso... Por que gostar de algo que todos têm, que todos gostam, que todos usam, que todos ouvem?! Muito raramente é uma coisa legal e realmente útil! Mas todos usam porque não querem ser "excluídos" da maioria dessa sociedade barata. Seja você mesmo! Faça seu estilo, sua moda... Inove! Não queira ser comum, nem estar de acordo com ninguém! Cada pessoa tem - ou deveria ter - sua própria personalidade... Outra coisa que me irrita profundamente: uma pessoa fazer de tudo pra ser popular; inclusive... ah, deixa pra lá. Qual é o objetivo de você fingir ser o que não é? Ser popular? Pra quê? Pra conhecer mais amigos, sim. Maioria falsos, querendo simplesmente se apoiar em alguém pra ser popular também. Será que não dá pra ser normal? Agora quem é normal é idiota, é "o calado", só por estar certo em não querer se misturar com os infantis. Por isso que o mundo não vai pra frente. Não vou nem falar que o governo é uma me..leca né?! Mas se eles já têm sua poupança, literalmente, cheia, não precisam mais se preocupar com os outros... No popular, "já garantiram o deles". Tão se ferrando pra como o mundo vai tá daqui a algum tempo... E o petróleo que vai acabar? Cadê o substituto? E as lagoas poluídas? E o meio ambiente? Nada importa pra eles... Nada além de seus próprios umbigos limpos com lenços de ouro! Todo o país se mobiliza pra torcer pelo Brasil na Copa do Mundo. Agora eu pergunto: PORQUÊ? Pra trazer cultura, fama e turistas? Turistas esses que se vierem, vão embora logo, provavelmente, devido a algum arrastão, assalto, ou pelo simples fato de terem percebido que esse país é só fachada. Na verdade, o que predomina aqui, infelizmente, não é a beleza de nossas paisagens naturais, ou nossos pontos turísticos, e sim, a violência, miséria, desemprego, favelização... Nossos pontos positivos estão longe de compensar os negativos... Tá, retomando a linha de raciocínio... Todos se mobilizam pelo Brasil, mas o engraçado é que não há uma mobilidade dessa dimensão pra lutar contra o governo, contra os problemas sociais... E isso torna o país inteiro, uma grande generalização hipócrita. E você talvez faça parte disso. Enfim, recuse modinhas ridículas, popularidade fingida, lute por seu próprio espaço no mundo que você pode ajudar a reformar, caia na real e perceba que não há nada mais importante do que confiar em você e nas pessoas que você ama, e fazer de tudo pra deixá-las felizes... Você pode ter vários amigos... Mas se pergunte: em quantos pode confiar? Pra quantos pode ligar quando precisar, pra pedir conselhos, desabafar, ouvir palavras de consolo de quem realmente te quer bem e te conhece, conhece seu jeito de pensar, te entende...? Esteja sempre perto de quem te faz bem e, dos que não fazem, apenas se afaste. Tente fazer sua respectiva parte, e nada mais que isso, por favor. Se continuarmos de braços cruzados, nada poderá mudar... A ousadia de arriscar é tudo que precisamos.

Thursday, November 16, 2006

Saddam foi condenado à morte de forca



Saddam Hussein foi condenado à morte na forca,
neste domingo, no Iraque.
Apesar de ser contra à pena de morte, por questões
religiosas, gostei do veredicto do cruel ex-ditador.
Mas, vejam:
*Saddam matou milhares de civís inocentes;
O BUSH TAMBÉM!!

*Saddam usou seu poder de forma abusiva;
O BUSH TAMBÉM!!

*Saddam promoveu torturas;
O BUSH TAMBÉM!!

*Saddam promoveu prisões sem julgamentos;
O BUSH TAMBÉM!!

*Saddam mentiu para o seu povo;
O BUSH TAMBÉM!!

*Saddam sub-jugou outros povos utilizando seu
poderio militar;
O BUSH TAMBÉM!!

*Saddam promoveu o terrorismo;
O BUSH TAMBÉM!!

Diante de tudo isso, fica uma pergunta no ar:
Saddam vai morrer,e Bush? Vai ficar impune?

Oitavas

Nos idos de 1996, Yuta Massuda (um amigo meu) falou algo sobre oitavas. Não lembro exatamente as palavras que usou, mas o sentido do que foi dito ficou gravado em minha cabeça : "Nossa vida não é um círculo, mas sim uma espiral. E no que seguimos por essa espiral, que tende a ser ascendente devido à experiência acumulada, muitas vezes nós nos deparamos com situações aparentemente repetidas. A diferença é que sempre estamos uma oitava acima que da vez anterior."
Penso muito nessa frase ela tem sua sabedoria. No entanto, já constatei que, mesmo passando por situações aparentemente repetidas eu não tenha adquirido lá muita experiência no que concerne a lidar essas situações. Uma frase muito efetiva da qual me lembro (essa é de minha autoria), de anos idos: De tanto ela insistir em olhar para trás, eu comecei a olhar para os lados.

Definitivamente, depois de levar duas horas pra conseguir chegar em casa, cheguei à conclusão de que tenho de tomar uma providência quanto a isso. Impressionante como o trânsito nessa cidade está cada dia pior ! Hoje, tive de dar uma escapulida na hora do almoço e só tinha de ir da Lapa até o centro... eu demorei uma hora, uma hora inteirinha da minha vida só pra descer a rua Clélia. Como se não bastasse, ainda teve a volta pra casa no final da tarde. Depois de passar no shopping Ibirapuera pra adiantar as compras de natal, eu subi a alameda dos Nhambiquaras em direção à 23 de maio. Vendo-a mais congestionada que meu nariz durante a aula de marcenaria, desviei pra Domingos de morais, pensando que estaria melhor e descobri que estava errado. Terceira alternativa, desta feita pela Ricardo Jafet. Só não desviei mais porque minhas possibilidades tinham se esgotado. Liguei o rádio na cultura, e que bela surpresa a ouvir uma polonaise de Mikael Kleofas Oginski para piano, uma musica que me recordo de te-la ouvido por um acordeonista Russo nas ruas de paris em idos de 1996...bela musica ...mas na verdade a única coisa que me consolava, era o fato de saber que tinha um chuveiro me esperando aqui em casa...
Mais tarde...

E Hoje, ao menos para mim, começa o natal. Ao menos no que diz respeito aos preparativos e às compras.( que para um meio judeu é isso mesmo : compras) A Cidade normalmente fica uma loucura e vou procurar evitar de deixar tudo pra última hora. Mas eu estava refletindo sobre o Natal... O que se comemora, é a festa católica. Curiosamente, os evangélicos não comemoram o Natal, porque eles alegam não ser a data correta. Segundo eles, Cristo nasceu mais ou menos por agosto, sem que se saiba precisar o dia. Não conheço detalhes, mas o que sei sobre o Natal também, é que antigamente havia uma festa pagã chamada o filho dos Deuses, ah lembrei..o senhor da Dança ou coisa assim que se comemorava por essa época. Ora, a Igreja católica, quando começou inventou festa de tudo que é santo nos mesmos dias das festas pagãs. Afinal, a igreja católica por essa época era algo novo e que tinha que se afirmar de algum jeito. E este, vai ser o terceiro natal que vou passar sem minha mão por perto... E será o primeiro que passarei ... Pois era por essa época que eu ia visitar... Mas em compensação, poderá ser primeiro que passarei com minha bela dama. E isso em si já compensa tudo e com certeza faz valer a pena ! Mas, deixando a religião de lado, o legal do natal é entrar no espírito do mesmo e presentear aquelas pessoas que são essenciais em nossas vidas. Então, nada como começar hoje com as compras, certo ?

Reabrindo ...

All That I Bleed (tradução)
(Tudo que eu sangro)
Alguém Recebeu uma carta
Pelo correio outro dia
Já estava gasta e rasgada
E eu acho
Que ela contava
Todas as coisas que guardamos por dentro
Todas as coisas que realmente importam
O rosto coloca seu melhor disfarce
E tudo está bem Até que o coração
Traia Ela sabe Enquanto ela lê a carta
Que as coisas partiram
Ventos sopram
Ela aperta mais seu casaco
E a carta voa para longe S
enhor traga a noite
Cerque-me com ela
Deixe-a me segurar forte
Encharque com tudo que eu sangro
E eu voarei para longe
Observe-me...


Acho engraçado, quando, pego-me a pensar em todas as voltas que nossas vidas dão. Eventualmente estas voltas levam-nos aos mais diferentes lugares. Outras vezes, tais voltas levam-nos ... aos mesmo lugares, sabem ? Se (como disse alguém, que, certa ocasião passou por minha vida de forma breve, porém, muito intensa) Pra tudo na vida tem de ter trilha sonora. Acredito, que hoje, a trilha sonora mais adequada à este dia seria uma das baladas de Chopin, sabe ? Não quero ficar me expondo muito aqui, não sei ainda, sinceramente, se tenho vontade de voltar a escrever, mas cá estou.... Hoje foi dia de nostalgia, dia de relembrar, com muita saudade dos bons momentos do passado. Ainda que seja doloroso não ter mais estes momentos, sinto-me feliz, mas, muito feliz mesmo. Afinal, mesmo tendo seguido rumos diferentes, eu e a pessoa a quem me refiro, em algum momento de nosso passado, vivemos por bons momentos. E estes momentos, ninguém pode nos roubar. São só nossos e sempre o serão !

Wednesday, November 15, 2006

Dia Besta

Às vezes domingo é um dia besta, mas feriado tbem é. Você se joga na cama, lê revistas, pensa nos releases que tem para escrever, nas partituras que tem pra estudar. Desiste. Pensa nas bobagens dos últimos dias. Enrusbece. Finge acreditar que não quer mais relações. Chora. Leva o carro para lavar. Dia besta não dá para lavar o carro. Lembra que a água acabou e o rolo de papel higiênico também. Compra. Arrepende-se de post escrito sob efeito de álcool. Apaga. Desespera-se por email indevido também enviado por efeito de álcool. Arrepende-se da discurssão indevida , por efeito do álcol....Reescreve. Vai ver que filmes estão passando. Volta.
E assim o dia besta chega ao fim e não fez muita coisa a não ser curtir o bode. Somos assim, seres instáveis e idealizadores demais. A noite, que começou apenas às 4h30 da manhã, não foi do jeito que queria. Idealizou. Deu-se muito mal. O ego só não foi esmigalhado porque curiosamente se sentiu um dos seres mais interessantes da tal festa. Gostaram do seu nome. Elegeram-lhe um dos mais elegantes da noite. Sussurraram sobre seu estilo. Elogiaram seu cabelo. Voltou triste para casa, mas com a auto-estima lá em cima. Não é sempre que recebe tantos elogios.
Encontrou amigo da ex-namorada, que ficou longos minutos dizendo que ela ainda gosta de você. Você desdenha, porque está de saco cheio. Ela insiste. Você o deixa falando sozinho. Gente besta tem que se afundar no copo e bater a cabeça no gelo.
Noite movimentada. Filas intermináveis para disputar uma vaguinha no banheiro. Impaciência para conseguir comprar sua cerveja. Embebeda-se. Sempre que está triste opta por artificialidades. O álcool desempenha bem esse papel. Chora jogado nos seus lençois brancos. Lembra-se que não tirou a roupa. Levanta. Vai ao banheiro. Depara-se com uma imagem estranha.... Chora. Chora. Limpa o rosto e escova os dentes. Chora. Dorme chorando. E percebe que às vezes é tão besta quanto o dia de hoje.Se arrependimento matassse....As vezes queria ser menos besta.

Tempo....


A vida é um rio que passa,Num curso de fúria sem ter fim.Esse rio, para minha desgraça,Desagua, e gela, dentro de mim...

Os verbos chineses não possuem tempo. Eu também não " Hilda Hilst

Nunca gostei desse lance de tempo. Gosto do atemporal, mas impossível não nos deixar levar pelo tempo. Somos saudosistas, futuristas, ansiosos, planejadores, etc. Temos nosso trabalho que marca nosso horário de entrada, saída, horas extras e dias perdidos. O despertador que nos tira do nosso sono bom. O horário dos nossos programas de tv favorito [tv digital, domine logo o nosso mundo]. Juramos amor e fidelidade até que a morte nos separe [e viva o eterno enquanto dure]. Marcamos compromissos com horários que devem ser cumpridos à risca. Temos horários de vôos, trens, ônibus.

Isso tudo é organização do Homem moderno controlado por seu relógio impiedoso. Sei que não há como viver de outra maneira, pois cairíamos em meio ao caos e teríamos saudades de nossos relógios. Não é mesmo desse tempo a que me refiro. É outro tempo. É também o tempo que nos desgasta. O tempo que é visível o tempo inteiro. O tempo que é cruel. O tempo que não perdoa. O tempo que nos consome. O tempo que nos mata.

Queria não ter essa noção de tempo. Viver na minha utopia de que dia e noite são unos, de que tudo é contínuo e não início-fim, como nosso dia de 24 horas, nossa semana de 7 dias, nosso mês de 30 dias, nosso ano de 365 dias, nossa década, nosso século. Tudo marcado para não perder o fio da história. E o meu tempo? O tempo que eu preciso para digerir as coisas, o tempo que eu preciso para dormir, o tempo que eu preciso para fazer as coisas que eu gosto, o tempo para amar, o tempo para não fazer nada, o tempo para sonhar, o tempo para me iludir como agora, me iludindo de que o tempo é uma mera invenção humana e que ele deveria perder sua importância e cair em desuso.

O que é não possuir tempo? Alguém me ensina a viver assim?

Wednesday, October 18, 2006

HEITOR VILLA-LOBOS

Assobio a jato para Flauta e Violoncelo
Allegro Moderato
Adagio
Allegro Vivo

Choros bis para Violino e cello

Poeme de l´enfant et sa mére para canto , flauta ,violino, viola , cello
(1º audição brasileira)

Bachianas Brasileiras nº 6 para flauta e fagote
Aria ( choro)
Fantasia

O canto do Cisne Negro para Cello e Harpa

Quinteto Instrumental para flauta, violino, viola , cello e harpa
Allegro
Lento
Allegro poco moderato


Flauta : James Strauss
Violino : Mattew Thorpe
Viola: Olga Vassilevich
Cello: Marialbi Trisolio
Harpa: Liuba Klevtsova
Fagote : Francisco Formiga
Canto : Camila Sene

Saturday, October 14, 2006

Le Nozzedi Figaro


Queriafalar um pouco de Mozart.Ganhei um CD, depois de participar de uma espécie de "quiz" em um site, com as Bodas de Fígaro. Já a conhecia há tempos e não é nem a minha primeira gravação, nem a segunda, nem a terceira, mas quinta que tenho dessa obra. Porque eu tenho tanto? Um pouco por sorte de ganhar alguns concursos e heranças, mas também porque eu considero Le Nozze a maior ópera de todos os tempos e uma das grandes manifestações artísticas do século XVIII, se não a maior delas. E se há algum "concorrente", é Don Giovanni, composta um ano depois, em 1787.Porque eu coloco esta ópera em tão alto nível? As razões são diversas, a começar, desagradando Salieri, delle parole. Poucas peças de teatro do fim do século XVIII podem ser comparadas a Le marriage de Figaro de Pierre Augustin Caron de Beaumarchais, seja pelo seu tom de tragicomédia (o autor foi fortemente influenciado por Lope de Vega, especialmente por Peribaí±ez y el comendador de Ocaí±a, que merece um post por aqui), seja por sua intriga ser a única legítima descendente de Molií¨re. E da Ponte compôs a partir deste um libretto, extremamente fiel, enxuto e livre dos trocadilhos, assonâncias de mal gosto que os libretistas da época tanto copiavam de Metastasio. Mozart pode se vangloriar de ter tido três excelentes libretos, número que talvez nenhum outro compositor pode ostentar, mas de todos, o de Le Nozze é o literariamente mais rico.E poi, la musica, é inegável que o jovem Mozart não merece ser tratado com desdém, pois sua obra é extremamente interessante, rica e vívida, entretanto, também parece inegável que o Mozart maduro é um dos maiores artistas de todos os tempos, e, de certa forma, Le Nozze é, não a marca da maturidade, mas seu primeiro grande auge.Nesta ópera Mozart introduz uma técnica extremamente eficiente e sutil que é carcterizar os personagens, não por meio de temas musicais, mas ritmicas, cada um dos quatro protagonistas, Figaro, Susanna, Conde e Condessa, mas especialmente as mulheres, têm características rítmicas marcantes, e estas características são derivadas das óperas que forneceram os personagens, ie. Fígaro e Susanna têm padrões buffos e o Conde e a Condessa de opera seria. Daí também sai o tipo de ária que eles cantarão, o que não significa que as árias sérias serão "trágicas" ou as buffas cômicas, Mozart brinca com isso de forma às vezes inacreditável: Cherubino que está sempre no âmbito "cômico", canta uma ária derivada diretamente da tradição da opera seria "Non so pií¹ cosa son, cosa faccio". Nós podemos encontrar outros exemplos de ária em sol menor com acompanhamento ostinato das cordas na Clemenza di Tito ou, para um exemplo mais fácil, a "ária" do primeiro movimento da sinfonia K. 550 (40).Um outro exemplo de como nessa ópera Mozart está lidando com a tradição é o dueto "Crudel, perchí¨ finora" no início do terceiro ato, a ambientação, a música e o próprio tema está completamente na ópera seria, mas o texto já é cômico, e a situação acaba se tornando extremamente irônica.Outro momento de genialidade acontece logo no comecinho, quando um dueto simples, "S'accaso madama", de repente sofre um revés inesperado com uma modulação, não para a dominante, mas para o tom relativo menor, costumo dizer que é nesse momento, quando Susanna introduz os desejos duvidosos do conde, que começa a intriga, e, de fato, o dueto que tinha um ar alegre termina angustiado.Mas de tudo, o mais fantástico, o mais maravilhoso, o mais espetacularmente espetacular das Bodas de Fígaro, são seus conjuntos, especialmente os finales dos três últimos atos. É por isso que coloco esta ópera em tão alto nível.De todos os grandes conjuntos, o finale do segundo ato é o mais elogiado, o mais comentado. Não é por pouco, não é exagero, certamente nunca uma música conseguiu ser tão... teatral. São vinte minutos de música ininterrupta, cobrindo uma ação de cinco cenas, vários momentos de tensão e distensão. Acho desnecessário ficar enumerando os efeitos desse verdadeiro monumento musical, mas o início dele, com a enérgica determinação do conde em matar Cherubino, e a música, em tom menor, com seus fortíssimos, aquela tensão imensa no ar, os cellos sublinhando as notas do Conde, e os sopros acompanhado a Condessa, é indescritível. E isso é seguido pela enorme distensão que é a aparição de Susanna, e as citações irônicas da cena anterior.O conjunto do final do terceiro ato é bem mais singelo e de menores pretensões, mas é de um brilhantismo típico de Mozart. Primeiro é sua ambientação, ele, inteiro, é um fandango que começa pelo meio, termina e só vai começar depois, quando é interrompido sem terminar; segundo que durante sua execução, as vozes estão em um outro compasso (o minueto do Don Giovanni vai levar essas arritmias a níveis surpreendentes) e consistem basicamente de recitativos, mas a tensão provocada pela insistência na seqüência harmônica e pelo silêncio permanece para ser concluída no quarto ato.O finale propriamente dito chega a ser chocante, tamanha sua força. Para começar ele se inicia com um tema e variação, fazendo do Conde a variação do tema de Cherubino, o que nos diz bastante do parelelo feito entre os dois "Don Giovannis" (a citação é proposital). Toda essa passagem é uma seqüencia vertiginosa de travestimentos, com Susanna cantando como Condessa, Condessa como Susanna, Fígaro escondido e repentindo enraivecido as frases do Conde (como cada personagem tem sua identidade, isso tem uma força expressiva considerável), o Conde com sua declaração de amor, uma das passagens musicais mais lindas de Mozart, mas com um sabor "estranho", que aliás tem toda a cena, pela modulação inusitada e a orquestração única de cordas, e logo depois Susanna comentando como Susanna. Estou ficando confuso, mas é difícil explicar tudo isso. Não sei se preciso ficar enumerando mais passagens geniais, mas como não se comover com as "declarações" de Fígaro para Susanna travestida de Condessa, com sua música visivelmente zombeteira, e depois a cena da revelação, que gera o pedido de perdão do Conde. Ou como não se comover com a alegria sem limites do final?Ah, eu ficaria falando o resto da vida sobre essa grande ópera...

La Clemenza di Torquemada

Hoje completa-se 257 anos da composição de uma das maiores óperas de todos os tempos, La Clemenza di Torquemada, composta por Bach, Vivaldi e Monteverdi, com libretto de Da Ponte, Metastasio e Busenello. Chega a ser revoltante o fato de uma ópera de tamanha qualidade não tenha tido até hoje o reconhecimento necessário do público. Me parece claro que um dos motivos são as questões de autenticidade, sempre rondando esta obra, mas diante de tal música a autenticidade é quase irrelevante. A história da composição desta obra é extremamente confusa e tem seu começo em 1643: Após o sucesso absoluto de L'incoronazione di Poppea a dupla Monteverdi e Busanello não se contentou com a glória imortal já adiquirida, eles queriam mais, explorar até o máximo todas as potencialidades desse gênero recém-formado, a ópera. Com efeito, já não bastava a Poppea ser a primeira ópera com enredo histórico, tampouco o fato de se cantar os amores do casal imoral Nero e Popéia, ambos queriam ir além, e, em uma carta a Busenello, mesmo antes de terminar a Poppea, Monteverdi nos revela seus planos para o futuro:"Estava pensando em compor uma ópera contemporânea (...) como você tem ouvido, em um lugar de Castela há não muito tempo, havia um padre cuja fama não era das melhores, dizem, era um inquisidor (aqui a carta tem uma lacuna), pois eu desejo compor a história desse homem" Parece que simultaneamente ao trabalho com a Poppea, no máximo de sua criatividade, Monteverdi iniciou o trabalho com esta ópera, ainda não nomeada, a partir de um diálogo entre Isabela e Torquemada, que haveria de ser o ponto máximo de toda a obra. Infelizmente, a morte o impediu de continuar seu trabalho, porém, a música foi publicado no duvidoso Nono livro de Madrigais, mas nunca foi levada à sério por considerarem-na apócrifa. Esse pedaço de música foi guardado em Roma, como um presente para o Sumo Pontí­fice, e permaneceu por alguns anos na biblioteca do Vaticano. Quase cem anos mais tarde, quando as crises de insônia do regente espanhol haviam se agravado, e não mais a bella voce de Carlo Broschi conseguia o efeito de outrora, foi chamado à corte de Madrid ninguém menos que o maior libretista da época, e talvez de todos os tempos, Metastasio. Segundo as próprias palavras do rei, era necessário fazer algo de novo, algo de maior, Segovides musae, paulo maioria canamus, comentava pelos corredores do Palacio Real. Pois era preciso escrever algo para mostrar a glória do povo espanhol, era preciso algo que mostrasse ao mesmo tempo, como sua cultura devia não apenas aos cristãos, como também aos judeus e mouros. Era preciso criar o equivalente musical de Cervantes, era a grande discussão na Madri do momento. Metastasio teve livre acesso aos documentos secretos, teve também poder de decidir quem seria o seu Cervantes musical, que acabou sendo algué não falava espanhol e nem vinha da gloriosa Castela: o veneziano Vivaldi - considerado o grande operista do momento, depois que Handel abandonou a composição de óperas. Metastasio compôs uma trama formidável, mas graças ao espanhol um tanto castiço do romano, foi preferida a versão italiana de Isabela, reina di[sic] Castela, ou seja, Elisabetta, regina di Castela. Alheio a tudo isto, Vivaldi compôs uma de suas melhores óperas: poucas pessoas sabem, mas o primeiro movimento do Verão das Quatro Estações, foi reaproveitado do prelúdio orquestral da cena do auto de fé e o concerto para flauta La Notte é praticamente uma paráfrase de uma das árias de Cristóvão Colombo. Porém, Vivaldi teve de voltar a Veneza para resolver uma questão com o teatro local, e deixou a partitura interrompida na metade do segundo ato. O rei espanhol, irritado com esta atitude de desprezo, resolveu dispensar os músicos e Metastasio, deu este projeto por encerrado e voltou a ouvir Farinelli. Vivaldi, porém, teve o zelo de guardar os originais, "papel é caro e isso pode servir para mais coisas no futuro, como embrulhar carne", anotou em uma de suas cartas. Anos mais tarde, quando expulso de Veneza, Vivaldi resolveu atender uma encomenda de uma ópera em Dresden, mas aquela parada em Viena seria a última de sua vida. Parece que Vivaldi estava com a intenção de fazer executar "Elisabetta, regina di Castela" em Dresden, pois só isso explica como que, em 1745 essa partitura, completa, foi aparecer em Leipzig nas mãos do Kapellmeister do lugar, após um leilão de papel usado. Segundo se diz, ele não conseguia acreditar que tinha um original do grande compositor Veneziano em mãos, e tomou aquelas partituras como troféu levando-as para casa. Bach, que não tinha as pretensões nacionalistas do rei espanhol concluiu a obra e modificou-a bastante em seu conteúdo. O que ele fez foi sistematicamente reconstruir toda a obra, a começar pelo libretto, com a ajuda de Orlando da Ponte, que seria pai de Lorenzo, dando destaque impressionante à figura de Torquemada e reduzindo a parte dedicada aos reis. Além disso, Lorenzo trouxe do Vaticano a antiga partitura de Monteverdi, que havia sido vendida a sua famí­lia, depois que o Sumo Pontí­fice vendeu algumas de suas relí­quias para pagar o arquiteto e escultor Bernini. Bach adicionou o diálogo entre Elisabetta e Torquemada composto por Monteverdi e, além disso modificou totalmente as partes previamente compostas: a quantidade de comentários e referências orquestrais adicionadas na ópera, dando uma unidade impressionante, fazem-me dizer que Bach foi o grande mestre da ópera de todos os tempos. Se em Vivaldi a ópera corre no esquema recitativo-ária simples, Bach anarquiza esta ordem, colocando recitativos acompanhados, lindas passagens solí­sticas dos instrumentistas, belí­ssimas passagens orquestrais, até colocando um "dueto canônico cancrizans", baseado na Oferenda Musical. O que mais impressionou os estudiosos é que o libretto tem uma importância completamente secundária nesta obra, ele apenas é o motivo da existência da ópera, nada mais. A música que Bach faz com que todo o resto seja apenas o resto. Muito já foi dito sobre esta ópera, mas deixo, mais uma vez, a entrada que Wagner colocou em seu diário logo após travar contato com esta ópera: "Esta é a ópera mais bela que já vi em minha vida. Tenho que destruí­-la, publicando-a estarei eclipsando minha música; e isto é inadmissí­vel" Sobre a história do renascimento desta ópera, a história é simples Seus manuscritos circulavam em Berlim com a mesma frequência dos da Paixão de São Mateus, mas Mendelssohn não a quis montar por ver no drama de um executor de judeus querendo sua redenção uma afronta a sua raça. Mendelssohn não vira a extrema dignidade com que seu povo foi tratado, dignidade que não estava no libretto horrí­vel de Mestatasio, mas estava marcada em uma das passagens mais belas da ópera, que é o Sábado, uma longa página descritiva da religiosidade judaica, começa citando uma melodia do Kol Nidre e vai se modificando em uma série de variações que anuncia as Goldberg. Desde então os manuscritos sumiram. Conta-se que um excêntrico milionário as comprou e guardou para a posterioridade, pois uma ópera sobre judeus não conseguiria a menor empatia na Alemanha do final do século XIX. Os descendentes desse milionário guardaram a relí­quia, mas, antes da guerra, fugiram para os EUA e deixaram as partituras na Alemanha, onde foram guardadas como relí­quias na casa de ópera de Königsberg. As forças soviéticas de ocupação conseguiram os originais e a levaram para o Hermitage de São Petersburgo, e apenas em 1995 que o mundo pode saber que aquelas estranhas entradas nos diários de Wagner não haviam sido causadas pelo seu recente tratamento com alucinógenos Outra hora comento sobre a outra grande obra-prima de Bach e completada por Bomtempo, escrita na nebulosa passagem do mestre alemão por Portugal: "O Anel do Gnomo", uma trilogia com um prólogo: "Ouro do Tejo", "As Tágides", "D. Sebastião" e "Crepúsculo dos Avis".